segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um filho & Três Cachorros

Eis que nosso sonho de deixar o Brasil pra trás teve que ser subitamente revisto!
De início, parecia ser o passaporte, o "green card" definitivo, afinal, casais com filhos pequenos são muito bem vindos ao Canadá!
Mas nesse meio tempo veio a crise econômica mundial.
E além da Meg e da Duda, nossas pequenas maltês e daschund, respectivamente, veio Bud, o pastor alemão. Daí, embolou de vez o meio de campo!
Crianças, sim, cachorros, não! Mudanças, sim, mas retrocesos, não mesmo!
Já teríamos que estudar uma maneira de deixar as cachorrinhas com alguém... Dai teríamos que achar um lar pro Bud também e... Bem, com um bebezinho não dá pra se aventurar, começar de quase zero, voltar alguns passos, enfim, reduzir o padrão de vida.
Sim, porque recém-chegados (ainda tem hífen?!) ao Canadá, falando mal e porcamente francês e inglês, que condições teríamos de competir com nossos pares locais? Teriamos que reduzir nossas espectativas, aceitar ganhar um pouco menos,
Se fôssemos só nós dois, poderiamos apertar o cinto por um tempo. Mas com o bebê não poderiamos arriscar! Nãp poderíamos simplesmente "sobreviver"! Em plena crise, era bem provável que tivéssemos até que retornar... Daí, optamos por ficar! Pelo menos por hora.
Entre começar de novo por lá e investirmos no que temos aqui - que não é pouco, diga-se de passagem - optamos por dar-nos mais uma chance.
Graças a Deus, não estamos exatamente atuando em nossa área de formação, mas temos empregos estáveis. E isto sempre foi e é, particularmente nesse momento, uma grande vantagem!
Sem querer parecer conformista - que não é do meu feitio mesmo! - estamos vivendo, trabalhando e curtindo os frutos de nosso trabalho. E isso é muito mais do que, eu acredito, estaríamos experimentando "lá fora" nesse momento! Será? Só Deus sabe...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

domingo, 18 de novembro de 2007

Gamão

sábado, 3 de novembro de 2007

Herdeiros da Pampa Pobre


Há algum tempo – já é marca de estância velha -, aqui por estes pagos, tanto para quem tem o poncho forrado quanto para quem tem apenas alguns cobres na guaiaca, ficar faceiro com a lida, aumentar a família, criar os piás, sair na rua sem se atucanar, tem ficado mais difícil que nadar de poncho contra a corrente.

Com o tempo, a gente vai ficando de guampa torta, mais azedo que pêssego do mato, vendo o tempo todo esses fiadasputa fazendo tanta fiadaputice lá em Brasília e em tudo quanto é canto neste país, como quem peida dormindo. Que barbaridade! Parece uma maré de mijo! E o povo, lombo de sem-vergonha, de orelha murcha, tratando burro a pão de ló. Bah! Tem que dar o lado!

Deu pra ti, Brasil! Largamo de mão! Já era! Levantamo as grimpa! “Porque não quero deixar pro meu filho a pampa pobre que herdei de meu pai”. E porque cansamos de enfiar água no espeto, de sofrer igual mãe de ouriço.

Vamo a la cria, abrir os dedos, buscar outros rincões. Vamo riscar estrada pro Québec! Tá decido! Pode ser a pau e corda, mas vamo! Dizem que lá faz frio de renguear cusco, oito meses por ano! Levamo bastante mate pra não encarangar. :-)

Tamo entregando os papéis. Já com o pé no estribo! Fumeta será rebenquear-se de saudade do nosso pago. Mas aqui em Curitiba ele já não está mais tão perto. De certa forma, já passamos nossos três anos de adaptação. Só vamos trocar as visitas bimestrais por visitas bianuais. Mas aguentamo o tirão! Não dá nada calça floriada!

Cansado de ouvir o pessoal perguntar porque abandei a querência amada, peguei uma frase, de uma outra música, adaptei e mandei pirografar no meu sepo de facas: “Levo meu pampa na garupa em qualquer lugar que eu ande!”. Vou levar junto meu sepo, para mostrar e chamar na chincha. Ou nem tanto. Não sou de gastar pólvora em chimango. E dê-lhe que te dê-lhe!

Gosto muito da música abaixo. É do Gaúcho da Fronteira (embora muita gente ache que é dos Engenheiros). Ele que é amigo de juventude do pai, antigo vizinho da nossa casa lá no Sarandi, em Porto Alegre. Cantou e até tocou acordeão no meu aniversário de 10 anos! Te mete!


Herdeiro da Pampa Pobre

Mas que pampa é esta que recebo agora
Com a missão de cultivar raízes
Se desta pampa que me fala a história
Não me deixaram nem sequer matizes

Passam as mãos da minha geração
Heranças feitas de fortunas rotas
Campos desertos que não geram pão
Onde a ganância anda de rédeas soltas

Se for preciso, volto a ser caudilho
Por essa pampa que ficou pra trás
Porque não quero deixar pro meu filho
A pampa pobre que herdei de meu pai

Herdei um campo onde o patrão é um rei
Tendo poderes sobre o pão e as águas
Onde esquecido vive o peão sem leis
De pés descalços cabresteando mágoas

O que hoje herdo da minha grei chirua
É um desafio que a minha idade afronta
Pois me deixaram a guaiaca nua
Para pagar uma porção de contas


Caso alguém precise de dicionário:

http://www.paginadogaucho.com.br/fras/comp.htm

http://www.clesio.net/cn/index.php?blog=12&title=frio_de_renguear_cusco_nesta_madrugada&more=1&c=1&tb=1&pb=1